País bateu recorde histórico de 83 milhões de devedores
A crise econômica no Brasil atinge níveis alarmantes e afeta intensificamente a cidade de Itaquaquecetuba. De acordo com dados confirmados pelo Serasa ao Itaquá Repórter nesta semana, o município possui 179.055 endividados, que são responsáveis por 970.068 dívidas acionadas.
O valor total do débito protestados pelos habitantes da cidade é de R$ 1,1 bilhão. O montante equivale a 73% do orçamento da Prefeitura de Itaquaquecetuba para 2026. O número cita apenas os débitos registrados no Serasa, sem contar os atrasos que não foram acionados pelos credores. O ticket médio de dívidas por inadimplente é de R$ 6.329,64. Já o ticket médio por dívida é de R$ 1.168,32.
Se a situação em Itaquá é preocupante, no restante do Brasil o cenário é bem parecido. O volume de brasileiros inadimplentes atingiu a marca histórica de 83,3 milhões de pessoas em abril, segundo o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa. Com alta de 0,67% em relação ao mês anterior, são mais de 555 mil novos consumidores negativados, o que corresponde a 50,81% da população adulta do país.
Ao todo, os brasileiros acumulam 342 milhões de dívidas negativadas, somando mais de R$ 568 bilhões em débitos. O valor médio devido por pessoa chegou a R$ 6.814,39 — mais de quatro vezes o salário-mínimo. Só no estado de São Paulo, são mais de 20 milhões de pessoas com o nome negativado, que somam mais de 99 milhões de dívidas.
Para Fernando de Almeida Santos, professor do Centro Universitário Eniac há 15 anos, com especialista em Ciências Sociais, Administração de Empresas e Ciências Contábeis, o alto número de endividados em Itaquaquecetuba prejudica a economia da cidade.
“Você dificulta a compra e reduz a venda, o que afeta a economia. A população busca a oferta de produtos estrangeiros, mais baratos, o que dificulda as atividades da indústria local e gera mais demissões. É a realidade o Brasil”, disse.
Segundo Fernando, o alto número de endividados é um reflexo de vários fatores, como redução da renda das famílias e aumento da cesta básica. Ele disse que o Desenrola 2.0, programa federal focado nos inadimplentes, pode ajudar parte dos devedores, mas não é uma solução definitiva.
“Essa medida busca amenizar a situação, mas a renda está muito baixa”, pontuou.
O Novo Desenrola é focado nas famílias com renda máxima de até cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8.105, estudantes com dívidas no Fies, agricultores familiares, micro e pequenas empresas, servidores, aposentados e pensionistas. Vale para dívidas contratadas até 31 de janeiro, com atraso entre 90 dias e dois anos, relacionadas a cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. O programa oferece descontos entre 30% e 90% sobre o valor da dívida, com parcelamento em até 48 meses, com juros de até 1,99% ao mês.
“Em muitos casos, o consumidor utiliza linhas emergenciais, como cartão de crédito e cheque especial, para cobrir despesas básicas ou lidar com perda de renda, o que pode acelerar o efeito bola de neve das dívidas”, avaliou Aline Maciel, diretora da Serasa.




