Teste molecular detecta HPV de alto risco, permite acompanhamento precoce e aumenta chances de cura
Ribeirão Preto se tornou a primeira cidade do estado de São Paulo a implementar o novo modelo nacional de rastreamento do câncer de colo de útero, uma das doenças que mais afetam a saúde da mulher. O exame molecular, que substitui gradualmente o tradicional Papanicolau, permite detectar precocemente o HPV de alto risco e garante acompanhamento imediato, aumentando as chances de cura.
Exame molecular e precisão no diagnóstico
O teste é baseado na técnica de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), que identifica partículas do DNA do HPV no organismo da mulher. A coleta é realizada na região genital, e o exame verifica a presença de vírus capazes de evoluir para o câncer de colo de útero. Os subtipos 16 e 18 do HPV são responsáveis por cerca de 70% dos casos da doença.
A médica e professora Silvana Quintana, da FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto) da USP, explica que o exame permite identificar mulheres em risco mesmo antes do surgimento de lesões.
“Ao detectar o HPV de alto risco, a paciente é encaminhada para colposcopia, onde a lesão pode ser visualizada e monitorada. Mesmo sem alterações visíveis, a paciente passa a receber acompanhamento especializado”, afirma.
Do Papanicolau ao PCR: mudanças na prevenção
O Papanicolau, usado desde os anos 1980, ainda é o principal método de rastreamento no Brasil. No entanto, ele identifica alterações celulares já estabelecidas, enquanto o PCR detecta a presença do vírus, aumentando a chance de intervenção precoce.
Com o novo teste, os intervalos entre as coletas também aumentam: de três para cinco anos, garantindo segurança graças à sensibilidade de 97% do método molecular, superior à citologia, que possui sensibilidade de 91%.
Expansão gradual pelo país
O programa começou oficialmente na Unidade Básica de Saúde Doutor Sérgio Botelho da Costa Moraes, no bairro Ipiranga, com testes gratuitos pelo SUS para mulheres de 30 a 65 anos. A meta é expandir o rastreio para todos os estados até dezembro de 2026, beneficiando cerca de 7 milhões de mulheres anualmente.
Silvana Quintana destaca que a implementação exige capacitação e logística adequadas:
“Apesar da semelhança com o Papanicolau, o novo método envolve tecnologia diferente, e todo o sistema de saúde precisa estar preparado para garantir segurança e eficiência”.