Município atribui resultado a investimentos em segurança, acolhimento especializado e programas de autonomia financeira
Enquanto os índices de violência contra a mulher seguem preocupando autoridades em diversas regiões do país, Itaquaquecetuba alcançou uma marca considerada significativa na área da segurança pública. O município completou quase dois anos sem registrar casos de feminicídio, segundo dados oficiais da Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo.
O último caso registrado na cidade ocorreu em agosto de 2024. Antes disso, os registros mais recentes haviam sido contabilizados em fevereiro e março do mesmo ano.
Com cerca de 500 mil habitantes, Itaquaquecetuba atribui o resultado a uma política de enfrentamento à violência contra a mulher baseada em ações integradas de segurança, acolhimento, prevenção e capacitação profissional.
“Segurança Pública para as mulheres se alicerça com presença do Estado, acolhimento humanizado e oportunidades reais de autonomia, para que a vítima não dependa do agressor e possa tomar decisões, inclusive a de não querer mais viver embaixo do mesmo teto que o companheiro. Os resultados mostram que estamos no caminho certo, mas seguiremos trabalhando até que nenhuma mulher de Itaquaquecetuba precise temer pela própria vida”, afirmou o prefeito Eduardo Boigues (PL).
Ronda de Proteção à Mulher
Entre as principais iniciativas implantadas pelo município está o fortalecimento da Ronda de Proteção à Mulher, serviço da Guarda Civil Municipal responsável pelo acompanhamento de mulheres que possuem medidas protetivas de urgência.
De acordo com a administração municipal, entre 2021 e 2026 foram contabilizadas 2.572 medidas protetivas ajuizadas, 2.643 mulheres acompanhadas pela rede de proteção e 68 prisões por descumprimento de determinações judiciais.
Delegacia da Mulher e rede de apoio
Outro avanço citado pela Prefeitura foi a implantação da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em Itaquaquecetuba, inaugurada em março de 2021 pelo Governo do Estado.
No mesmo período, a Secretaria Municipal da Mulher estruturou a Rede de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, voltada à capacitação de servidores públicos e ao fortalecimento dos fluxos de atendimento às vítimas.
A cidade também aderiu ao Programa Acolhe, desenvolvido em parceria com o Instituto Avon e o Grupo Accor. A iniciativa oferece hospedagem temporária para mulheres e filhos em situação de violência doméstica, além de assistência psicossocial, orientação jurídica e cursos profissionalizantes.
Campanhas e qualificação profissional
Nos últimos anos, Itaquaquecetuba ampliou campanhas permanentes de conscientização e combate à violência de gênero, como o Agosto Lilás e o Não é Não.
Segundo a Prefeitura, as ações já somam mais de seis mil abordagens educativas realizadas junto à população.
Em 2024, foi inaugurada a Casa da Mulher, equipamento voltado ao acolhimento, orientação e qualificação profissional feminina. Desde então, mais de 550 mulheres participaram de cursos gratuitos de capacitação para ingresso ou recolocação no mercado de trabalho.
Tecnologia e monitoramento
Também em 2024, o município implantou o Botão do Pânico, ferramenta integrada à Ronda de Proteção à Mulher da Guarda Civil Municipal.
Atualmente, o sistema conta com 139 mulheres cadastradas, sendo 67 acompanhadas de forma ativa e permanente.
Para Boigues, a combinação entre segurança, acolhimento, prevenção, integração institucional e geração de autonomia financeira tem sido fundamental para os resultados alcançados.
“Priorizamos a segurança das mulheres por meio de um trabalho sistematizado de proteção e monitoramento das vítimas, integração entre os órgãos públicos, acolhimento especializado, prevenção, conscientização e capacitação para a autonomia econômica. A ideia é garantir que casos de violência sejam prevenidos e combatidos com efetividade”, destacou.
Cinco pilares
Segundo a administração municipal, a política de enfrentamento à violência contra a mulher está baseada em cinco eixos principais:
- Proteção e monitoramento das vítimas;
- Integração entre os órgãos públicos;
- Acolhimento especializado;
- Prevenção e conscientização;
- Capacitação para autonomia econômica.




