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Mutirão de limpeza transforma vida de acumuladora em Itaquaquecetuba

Mutirão de limpeza transforma vida de acumuladora em Itaquaquecetuba
Foto: Reprodução/ Redes sociais

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Dona de casa, que vivia cercada por quase 1 tonelada de lixo, recebe apoio de influenciador e projeto social

Imagine viver em um cenário dominado pelo lixo. Para Byanca do Prado, dona de casa de Itaquaquecetuba, essa realidade tornou-se cotidiana. Após perdas familiares e situações de abandono, a ex-catadora acumulou quase uma tonelada de lixo dentro de sua própria residência, transformando o espaço em um ambiente insalubre e intransitável.

O caso chamou a atenção da vizinha e amiga Daniela de Araújo, técnica de enfermagem, que percebeu o sofrimento de Byanca e buscou ajuda nas redes sociais. A mensagem chegou ao influenciador Guilherme Gomes, responsável por um projeto solidário que realiza limpezas voluntárias em residências de pessoas com depressão ou transtorno de acumulação.

“Cada ser humano tem uma história. Ajudar essas pessoas a subir de volta para a vida é muito prazeroso”, afirma Gomes, que iniciou o mutirão na casa de Byanca.

Histórico do acúmulo

O transtorno de acumulação de Byanca começou há cerca de dois anos, após enfrentar a perda dos pais e da avó, além de situações de violência e abandono. Ela acumulou toneladas de objetos, roupas, restos de comida e móveis, tornando a casa praticamente inabitável.

Byanca relata:

“Trazia muito lixo pra dentro de casa. Meu companheiro via tudo e não ajudava, então estava tudo acumulando.”

O ambiente afetou também os animais que viviam com ela. Conforme a vereadora Lessandra Gonçalves, que acompanha o caso desde 2024, foi necessário providenciar cuidados aos bichos, incluindo doação de filhotes e atendimento veterinário.

Ação solidária

Com o apoio do projeto de Guilherme Gomes, a residência de Byanca passará por:

  • Limpeza completa;
  • Reforma e reorganização do espaço;
  • Substituição de móveis;
  • Atendimento psicológico;
  • Cuidados veterinários para os animais da moradora.

O veterinário Edson da Paiol ressalta que os animais muitas vezes representam o único vínculo emocional dessas pessoas:

“Eles se apegam aos bichos, que se tornam seus companheiros. Agora, a vida dela está sendo transformada.”

Transtorno de acumulação

Segundo a psicóloga Fernanda Miranda, de Mogi das Cruzes, o transtorno de acumulação é geralmente resultado de traumas mal elaborados. Para tratar, é necessário:

  1. Retirar a pessoa do ambiente insalubre;
  2. Fornecer apoio psicológico para ressignificar objetos e memórias;
  3. Acompanhar o processo para evitar recaídas.

A especialista explica que o transtorno evolui em níveis:

  • Leve: ansiedade ao se desfazer de objetos;
  • Moderado: desorganização da casa e afastamento social;
  • Grave: ambiente insalubre e risco à saúde.

Estudos indicam que o comportamento de acumular pode começar entre os 12 e 15 anos e se agravar com o tempo, trazendo prejuízos significativos à vida adulta.

Byanca deixa um recado:

“Não perca a esperança. A esperança nunca morre.”

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